1 de setembro – Füssen

Dia sem pedal.

Decidimos tirar o dia para resolver algumas questões práticas, como lavar roupa e baixar os vídeos que o Eduardo vem gravando. Além disso, queríamos conhecer os famosos castelos dos reis bávaros, que são a grande atração de Füssen.
Começamos o dia tomando café da manhã no centro da cidade, que é lindíssimo!
Café da manhã no centro de Füssen.

O centro histórico de Füssen é uma gracinha.

Ficamos desanimados quando várias pessoas – até mesmo a atendente do centro de informações turísticas – nos disseram que não havia nenhuma lavanderia automática na cidade. Mas eu me lembrava de ter visto na internet que o Albergue da Juventude tinha. Eu cheguei até a pensar em programar a hospedagem para lá por causa dessa comodidade, mas só havia quarto com banheiro compartilhado e, dentre as nossas (poucas) exigências para a hospedagem, está o banheiro privativo.
Decidimos arriscar e levar nossa roupa suja até lá, na esperança de que nos deixassem comprar fichas e usar as máquinas mesmo não estando hospedados. Por sorte, fomos super bem recebidos e nos deixaram lavar a roupa. Enquanto esperávamos, também nos deixaram usar o sinal de internet!
Voltamos ao hotel para deixar o saco de roupas e nos preparamos para pedalar os 5 km até os castelos. Infelizmente, a chuva recomeçou com toda a força, derrubando a temperatura e causando grande incômodo.
Como não temos muita paciência para visitas guiadas, conhecemos apenas um dos castelos, mas foi bem legal.
Castelo de Neuschwanstein, que inspirou o castelo da Cinderela nos desenhos da Disney.

Castelo de Hohenschwangau, construído entre 1832 e 1836 para ser a residência de verão da família real bávara.

Muita chuva e frio neste dia...


Os ricaços da cidade moravam nestas lindas construções ao redor do castelo, hoje transformadas em lojas e restaurantes.

Tiramos várias fotos, apesar da chuva, e voltamos ao centro da cidade tentar achar uma lan house onde o Eduardo pudesse descarregar os vídeos. Precisávamos, na verdade, não da conexão com a internet, e sim de um computador com entradas USB para conectar a câmera e o HD externo.
Acabamos achando uma lan house, mas estavam fechando e não deu tempo de fazer o que precisávamos. Após sermos praticamente expulsos do lugar, achamos outra lan house. Porém, as máquinas não permitiam a leitura de periféricos – e o dono, um senhor bem carrancudo, não falava uma palavra em inglês e não parecia nem um pouco interessado em nos ajudar.
O jeito foi voltar ao hotel e jantar mais costelinhas de porco com vinho!
Mais um bom jantar no Steakhause Füssen!

31 de agosto - Schongau a Füssen

3° dia de pedal (Schongau a Füssen): 38 km

Tínhamos ficado tão cansados do pedal de ontem que já estávamos com a ideia de gastar na próxima parada, Füssen, nosso dia de "bônus" e ficar um dia a mais por lá, sem pedalar, só descansando. Além disso, pelo que todo mundo fala, parece que Füssen é a grande atração turística da região, com seus castelos e lagos.
Em relação ao pedal de hoje, estávamos com um pouco de medo porque, pela altimetria mostrada no mapa, parecia que a subida seria muito forte. Schongau fica no sopé da montanha e, olhando para o horizonte, você já percebe que dali para a frente vai ser só escalada.
Felizmente, porém, o traçado das ciclovias aqui é muito inteligente e, apesar de a gente estar sempre subindo, a inclinação é suave. Os 38 km foram percorridos calmamente, ao longo de algumas horas, dessa vez sem grandes problemas com as placas nem com o GPS.
A paisagem começa a se modificar, tornando-se mais típica de montanha, e a temperatura vai caindo. Se ontem eu tinha passado um pouco de calor com a jaqueta, hoje ela estava oferecendo a proteção ideal.
"Totem" em forma de soldado romano, perto do rio Lech.

A paisagem vai se tornando verdadeiramente "alpina".
E a temperatura vai caindo...

No meio do caminho encontramos o lindo rio Lech, por onde os romanos transportavam suprimentos para Augsburg, a capital provincial.


O rio Lech, por onde os romanos transportavam suprimentos até Augsburg.
No meio do caminho também chegou a chuva, que nos acompanharia até Füssen. Pedalamos um bocado debaixo de chuva forte até chegar ao hotelzinho que tínhamos reservado pela manhã, mas tivemos uma grata surpresa: apesar de simples, ele tem uma vista maravilhosa, bem de frente para o rio Lech e uma de suas quedas.
Também há restaurante no hotel, então pudemos jantar aqui mesmo. Ainda bem, porque a gente não estava com a menor vontade de encarar a chuva novamente para ir ao centro!

O quarto do simpático hotel Steakhaus Füssen.

Da varanda do quarto, tínhamos essa linda vista!

Há um ótimo restaurante no próprio hotel.


Hotel em Füssen: Steakhaus Füssen (74,40 euros p/ o casal – sem café da manhã) – prós: magnífica vista, bom quarto, com uma varanda grande, e restaurante muito bom também; contra: a internet só funciona se você tiver um Apple; se usa Android, esqueça!!!

30 de agosto - Augsburg a Schongau

2° dia de pedal (Augsburg a Schongau): 100 km

O segundo dia de pedal foi o dia dos "perdidos"! Pela planilha que recebemos de um dos amigos que já fizeram a Via Claudia, o percurso seria de 76 km. Mas acho que esse amigo deve ter pegado algum atalho, porque (como só depois perceberíamos) o percurso no site oficial era de aproximadamente 85 km! Com os erros que cometemos, acabamos fazendo nada menos que 100 km.
Foi, sem dúvida, um pedal bem puxado. Os primeiros quilômetros foram muito agradáveis, ainda nos parques e bosques nos arredores de Augsburg. Depois vieram longas retas em ciclovias ao longo das estradas. Também passávamos por várias cidadezinhas, todas muito bonitinhas, com casas sempre repletas de flores – e de placas solares no telhado! É impressionante como a energia solar fotovoltaica está disseminada por aqui, até mesmo nos menores vilarejos.
Casas com muitas flores na varanda: uma marca registrada da Baviera!


Verde por toda parte, inclusive nas paredes das casas.

Muitas cenas rurais, como a passagem deste rebanho de ovelhas.

Um dos marcos da Via Claudia. Ainda encontraríamos muitos pelo caminho todo!

Flores, muitas flores!
Outra coisa que tem nos chamado a atenção é a ausência de qualquer comércio nas cidadezinhas. Ainda bem que a gente tem sempre conseguido comprar frutas e pães no supermercado no dia anterior para comer durante o pedal, porque raramente encontramos qualquer lugar aberto nos vilarejos. No dia de hoje, chegamos a rodar uns 70 km sem encontrar nada. Quando nossa água já estava acabando, demos a sorte de achar uma máquina automática que vendia refrigerante.
Em relação à sinalização, hoje houve muita confusão, com o GPS toda hora divergindo das placas da Via Claudia, e estas faltando em várias bifurcações. Em alguns lugares, dava até para perceber que a placa tinha sido arrancada, porque o poste estava lá, com as ferragens do suporte, mas sem a placa.
O bom é que as pessoas estão sempre dispostas a nos ajudar. Mesmo quando não pedimos informações, às vezes elas nos param para perguntar de onde somos e para onde estamos indo. A câmara GoPro do Eduardo também tem despertado muita curiosidade. Parece que elas não são comuns por aqui... Uma das pessoas com quem conversamos durante a jornada de hoje foi um simpático alemão que tirou esta foto nossa com seu lindo dogue albino.
O simpático dono deste cachorro nos ajudou a achar o caminho e ainda tirou esta foto!
Bem, apesar de estarmos curtindo muito o passeio, é claro, chegou uma hora em que ficamos um pouco preocupados, porque perdemos totalmente a sinalização da Via Claudia. Acho que nos últimos 15 ou 20 km antes de Schongau saímos inteiramente da Via, sendo guiados apenas pelo GPS. E este, como estava no modo "mountain biking", nos mandava para trajetos bem off-road - que garantiam uma emoção a mais para mim, já que estou com pneus de cicloturismo de 32 mm...
Em certo momento, um pouco antes de chegar a Schongau, atravessamos uma floresta de pinheiros onde enfrentamos as primeiras subidas fortes do caminho. Foi o momento das primeiras empurradas também!
Eu fiz esta subida pedalando, mas me arrependi: quase infartei e minhas pernas doeram muuuito no final. Quase oito horas da noite, depois de 100 km percorridos, muito cansados e com o sol quase se pondo, chegamos finalmente a Schongau.

Dia puxado, com 100 km percorridos.

A rua principal de Schongau, com estas lindas casinhas coloridas.


Neste ótimo restaurante, batemos um longo papo com um garçom grego. Ele comentou que nessa região é comum as pessoas não falarem inglês – como a atendente do hotel onde nos hospedamos, que não falava uma palavra de inglês...
Jantamos um mais do que merecido rigatoni gratinado, com apfelstrudel e sorvete de sobremesa... e acabou-se o dia!

Hotel em Schongau: Blaue Traube (85 euros p/ o casal – café da manhã incluso) – prós: na verdade, praticamente nenhum, mas como há poucos hotéis na cidade e este é o menos caro deles, acaba sendo a melhor opção para quem quer economizar; há internet no quarto, ainda que lenta; contras: por incrível que pareça, ninguém fala inglês no hotel, então nossa comunicação tinha de ser feita toda por mímica ou por aplicativos de tradução automática; café da manhã apenas regular; hotel muito caro pelo que oferece.

29 de agosto - Munique-Donauwörth-Augsburg

1° dia de pedal (Donauwörth a Augsburg): 55 km
Em vez de seguir o plano inicial, que era ir de trem a Donauwörth à tarde, dormir lá e só começar o pedal no dia seguinte, resolvemos pegar o primeiro trem, às 8h, chegar lá às 9h30, conhecer um pouco a cidade e sair pedalando no mesmo dia. Assim, se tudo der certo, vamos ganhar um dia a mais no final da Via Claudia para conhecer Veneza. 
Pesou a favor da nossa decisão o fato de não estar muito quente (por isso não precisamos nos preocupar em fugir do sol) e de o sol estar se pondo apenas às oito da noite. Nessas condições, podemos começar a pedalar depois das 10h sem problemas. Foi exatamente o que fizemos nesse dia, pois começamos a pedalar umas 11h. 
Mas antes preciso contar a nossa aventura para chegar a Donauwörth... Tínhamos comprado a passagem na noite anterior, na estação central de Munique, e sabíamos que o trem sairia da plataforma 17. Quando o trem parou na plataforma, não tínhamos certeza se já podíamos entrar, porque as portas ficam fechadas, então ficamos esperando para ver se alguém entrava. Uma garota entrou e nós entramos logo depois. Já estávamos com as bikes amarradas no vagão quando, de repente, a locutora da estação deu uma informação em alemão – que nós não entendemos, é claro – e a mocinha saiu correndo do vagão. Tentamos sair também, mas a porta já tinha sido trancada! 
Por sorte, um maquinista do lado de fora nos viu trancados lá e nos ajudou a sair. Uma parte do trem ia para Donauwörth, mas aquele vagão onde a gente tinha entrado, não! 
Felizmente deu tudo certo e, apesar do susto, conseguimos nos instalar no vagão correto e chegar a Donauwörth no horário planejado. Chegando lá, tiramos algumas fotos da cidadezinha e partimos para o primeiro dia de pedal!

Quase ficamos presos dentro do trem, mas no fim deu tudo certo e conseguimos chegar a Donauwörth!


Entrada do centro histórico.

Esta é o Riede Tor, o único dos quatro portões da cidade que sobreviveu até os dias de hoje.
Donauwörth faz parte da "Rota Romântica" alemã.

Começamos exatamente no marco zero da Via Claudia, que fica no escritório de informações turísticas. Logo de cara começou a confusão, porque o GPS mandava ir para um lado, mas as placas da própria Via Claudia mandavam ir para outro. Além disso, ainda não tínhamos percebido que na verdade existem DUAS sinalizações da Via Claudia: uma para quem está indo da Alemanha para a Itália, e outra para quem está voltando. Então, em alguns momentos, as placas parecem contraditórias, pois apontam em diferentes direções.

O marco zero da Via Claudia, bem em frente ao escritório de informações turísticas de Donauwörth.

Apesar das hesitações, conseguimos seguir em frente e completar o percurso do dia sem grandes problemas. Na verdade, esse primeiro dia de pedal foi "mamão com açúcar": apenas 55 km em um terreno praticamente todo plano. 
A primeira metade não foi muito interessante, passando ao lado de gigantescas plantações de algum tipo de bulbo (seria alguma espécie de batata?). Mas a segunda metade, seguindo por trilhas em meio à floresta e depois ao lado do rio, foi maravilhosa.
Lindas trilhas em meio à floresta.

Depois o sol abriu e pedalamos ao lado de um rio.


Hotel em Augsburg: Jakober Hof (69 euros p/ o casal - café da manhã incluso) - prós: bom café da manhã, quarto grande; contras: as bikes ficam ao relento, internet só na recepção.

28 de agosto - Munique

Hoje nosso objetivo era visitar a bike shop Stadler, onde precisávamos comprar as últimas coisas, especialmente os alforjes do Eduardo.
Fomos pedalando e logo de cara sentimos a tremenda organização das ciclovias na cidade. Quem não está acostumado, como nós, precisa ficar o tempo todo prestando atenção na sinalização para não fazer bobagem.
Para chegar até a bike shop, contávamos apenas com o mapa fornecido pelo hostel onde dormimos e com anotações baseadas no Google Maps. Nos perdemos um pouco, mas as pessoas nos ajudaram muito. Até um alemão que não sabia inglês fez de tudo para nos mostrar o caminho e chamou um amigo italiano, que usou seu celular para nos ajudar a traçar a rota.
Quando finalmente chegamos à loja, ficamos atordoados com a gigantesca variedade de produtos. Infelizmente não será possível mostrar isso para vocês porque é proibido tirar fotos dentro da loja.

A gigantesca bike shop Stadler, onde compramos os equipamentos e roupas que faltavam.


Compramos tudo que necessitávamos – inclusive um GPS Edge Touring, que estava a um ótimo preço e logo mostraria toda a sua utilidade.
Após passar horas fazendo as compras e em seguida montando todos os equipamentos novos nas bikes, estávamos exaustos e morrendo de fome. Fomos pedalando (desta vez sem se perder, graças ao GPS!) até o Hirschgarten, um bonito parque de Munique. Lá nós almoçamos em um "beer garden", um lugar a céu aberto aonde as pessoas aqui costumam ir para comer e, principalmente, beber.


Viadinhos no Hirschgarten.

Bebida e comida típicas de um "biergarten".

Um brinde ao início das férias!