9° dia / 10° dia - de Nieuwpoort a Bruges (55 km)

(711 km acumulados)
Hoje o dia amanheceu perfeito, com sol, céu azul e vento a favor. Deslizando por uma simpática ciclovia ao longo de um rio, chegamos rapidamente a Bruges. Na verdade, era para ter sido mais rápido ainda se, logo ao sair do hotel, a gente não tivesse feito um desvio para ir até o mar em Nieuwpoort. Não valeu muito a pena, porque a praia é bem feiosa.
Mas dali para a frente a beleza tomou conta de tudo. Já tinham nos dito que Bruges era maravilhosa; ainda assim, a realidade superou as expectativas.
Logo que chegamos nos desviamos uns 3 km até o camping Memling, onde montamos a barraca e tomamos banho. As instalações do camping são excelentes, modernas e muito limpas. Tomara que todos na Bélgica sejam assim!
Monumento na saída de Nieuwpoort.

Vento e sol juntos.

Agradável caminho até Bruges.

De volta à natureza no camping Memling.

De banho tomado, tomamos um ônibus até o centro para conhecer Bruges. É difícil descrever uma cidade tão bonita. A cada esquina, uma cena apaixonante.


Dois dias em Bruges, uma cidade espetacular














Bruges é tão bacana que resolvemos ficar um dia sem pedalar aqui. Aproveitamos para visitar o Historium Bruges, um museu que proporciona uma experiência de imersão no mundo medieval. Você vai passando por sete salas temáticas que representam diferentes aspectos da Bruges medieval, enquanto assiste a um filme e ouve um áudio no idioma de sua escolha  (tinha português brasileiro!). No final, há uma apresentação muito legal em realidade virtual e um chope na cervejaria do museu.



Visitamos também o Museu da Tortura.






8° dia - Watten (França) para Nieuwpoort (Bélgica) (89 km)

(666 km acumulados)
Em Watten a LF1 começa de verdade, com uma sinalização impecável. Hoje seguimos basicamente as placas da ciclorrota, usando o Google Maps apenas como auxiliar.
O caminho começou com uma bela subida, pois tivemos de escalar o Monte de Watten. Mas vale a pena, porque lá em cima é possível dar um passeio pela História, observando construções de diferentes épocas.
Ruínas da Abadia de Watten, de 1072. Ou seja, quase mil anos de História.
Moinho construído no século XVIII com materiais que sobraram da abadia.

Sinalização da LF1.



O resto do caminho foi principalmente plano, passando por estradinhas rurais e ciclovias. Alguns quilômetros depois de Watten entramos em uma nova região da França, o Nord. Já dá para notar uma diferença na aparência das cidades, que voltam a ter o charme medieval da Normandia, porem com uma arquitetura mais semelhante à dos países do norte europeu.
Cidadezinha do Nord, última região que atravessamos na França.


Mais alguns quilômetros e entramos na Bélgica - aí, sim, é que a mudança se completa. Lindas cidades medievais com amplas e majestosas praças, estradinhas rurais floridas e, principalmente, muitas e muitas ciclovias por toda parte.
A bicicleta faz parte da cultura belga e o espaço dedicado a elas nas cidades é impressionante.
Praça central de Diskmuide, a primeira cidade da Bélgica que atravessamos.

Cenas da Bélgica.


Uma super-aranha em Nieuwpoort.

Placa em neerlandês, a língua falada no Flandres. Facinho, né? 

Esta região sofreu na Primeira Guerra e há muitos vestígios da época, como esta trincheira reconstruída.
Cruzamento em Nieuwpoort: o espaço para bicicletas  (em rosa) é igual ao dos carros!

Hoje passamos por duas cidades belgas de maior porte, Diksmuide e Nieuwpoort. Ambas são lindas, mas quando chegamos em Nieuwpoort o tempo não estava ajudando, com garoa e vento gelado. Nessas circunstâncias, desistimos do camping e resolvemos reservar um hotel no Booking pelo celular mesmo.  E assim tivemos uma noite de luxo, com direito a jacuzzi e tudo!  :)

Like a boss em Nieuwpoort :)




7°dia - de Berck a Watten (86 km)

(572 km acumulados)
Hoje aconteceu algo inédito: não nos perdemos nenhuma vez! rs rs Vários fatores ajudaram nisso. O primeiro é que toda a parte inicial do caminho, entre Berck e Bologne-sur-mer, é composta por uma única estrada, a D940 - que,  felizmente, é ladeada por ciclovia em quase toda a sua extensão.
O segundo fator é que, ontem, nossos anfitriões, Isabelle e André, conseguiram achar o trecho que faltava no nosso planejamento: a ciclorrota entre Bologne-sur-mer e Watten! Eles encontraram o trajeto completo da LF1 (uma gigantesca ciclorrota que vai de Londres a São Petersburgo) no site www.af3v.org. Então fomos marcando cidade a cidade desse trajeto no mapa Michelin que a gente tinha comprado. Dessa forma, hoje, apesar de a sinalização da rota ser precária no trecho de Bologne-sur-mer a Watten, a gente conseguiu se localizar facilmente usando as marcações no mapa e o Google Maps.
Últimas cenas do Pas-de-Calais. Amanhã passamos a outra região, o Nord. 



De Bologne-sur-mer dá pra ver a Inglaterra: são aqueles pontinhos brancos lá atrás.
Sinalização precária da LF1 no trecho de Bologne-sur-mer a Watten.

Chegamos por volta das seis da tarde em Watten, onde montamos a barraca no camping Val de Joly, que é bem ruinzinho, mas é o único da cidade.  Depois de jantar em um restaurante marroquino  (também o único aberto em Watten) fomos descansar para amanhã, quando finalmente entraremos na Bélgica.

6° dia - de Le Treport a Beck (85 km)

(476 km acumulados)
Hoje foi um dia para agradecer pelas coincidências e surpresas maravilhosas que a estrada nos reserva.
Começamos o dia um pouco preocupados porque, como a véloroute que estávamos seguindo terminou, teríamos que contar apenas com o Google Maps - e ele não é 100% confiável. A primeira providência que a gente tomou foi comprar um mapa Michelin do Pas-de-Calais, onde estávamos prestes a entrar.
Depois passamos na oficina de turismo da cidade e pegamos um mapa das véloroutes da região. Existem várias, e uma delas é a Eurovelo 4, a ciclorrota da Europa Central. Pena que ela ainda não está totalmente pronta,  por isso não podemos segui-la por uma longa distância.
Bem, na prática, o fato de haver várias ciclorrotas na região, com setas nos dois sentidos de cada uma, acabou nos confundindo bastante e nos perdemos por alguns quilômetros.
Várias ciclorrotas na saída de Le Treport.

Depois voltamos ao caminho correto, que seria na direção norte, até Bologne-sur-mer. Daí para a frente, a gente não sabia muito bem o que fazer, pois aparentemente a rota para a Bélgica  (a LF1) só começava bem a leste, em Watten.
Pedalando e pensando, fomos conhecendo o Pas-de-Calais, que é bem diferente da Normandia. Aquelas charmosas cidadezinhas medievais ficaram para trás. As aldeias aqui parecem muito com as cidades do interior do Brasil, exceto pelo fato de que não há pobreza.  O que vemos são muitas plantações, cidades com igrejinha na praça central e casas bonitas e bem cuidadas, porém contemporâneas.
Ovos à venda: uma casinha típica da França rural.

Usina eólica. Sim, tem muito vento por aqui.

No Pas-de-Calais apareceu também uma bem-vinda novidade: ciclovia ao lado da estrada, algo muito comum em países com mais cultura ciclística, como a Alemanha.
Ciclovia ao lado da estrada é tudo de bom.

Encontramos também um pequeno e belo pântano.


A gente estava chegando ao ponto de parada do dia, a cidade de Beck, por uma dessas ciclovias, quando tivemos o encontro mais incrível da viagem até agora. Um ciclista nos abordou e começou a conversar com a gente em francês com um pouco de inglês. Logo descobrimos que ele e a esposa também são cicloturistas e já percorreram muitos países de bike, inclusive destinos fora do comum na América do Sul, na Ásia e na África. No momento, eles estão se preparando para uma cicloviagem pelo Zimbábue e pela Zâmbia!
Eles nos convidaram para dormir na casa deles e foram maravilhosos anfitriões. Para completar esse dia tão especial, fomos até a praia de Berck ver focas e leões-marinhos.  É isso mesmo que você leu! Veja abaixo.
Leões-marinhos na praia de Berck.

Focas também!


Quintal dos nossos anfitriões.
Isabelle e André, nossos anfitriões.

5° dia - de Saint-Aubin-sur-mer a Le Treport (67 km)

(391 km acumulados)
Hoje concluímos a Véloroute du Littoral! Como o nome indica, o caminho é todo pela costa, na maior parte do tempo atravessando cidadezinhas rurais que ficam a uns 10 km do mar e, às vezes, indo até uma cidade litorânea propriamente dita. O vento gelado e forte é nosso companheiro - ou melhor, adversário - praticamente o caminho todo.
Hautot-sur-mer, uma das cidades costeiras com as características falésias.

A poucos quilômetros da costa, cidadezinhas medievais bem tranquilas.

Pausa para o lanche.

Em uma dessas descidas para o mar conhecemos uma linda cidade: Dieppe. Em 1942, a praia cercada de falésias foi palco de uma batalha trágica. Os Aliados, que tentavam retomar o porto da cidade ocupada pelos nazistas, não conseguiram seu intento e foram massacrados. Mais de 60% dos soldados morreram.
Praia de Dieppe onde ocorreu uma batalha trágica.


Mais alguns lugares bacanas em Dieppe.






No final do dia, chegamos a Le Treport, também espetacular. Ficamos no camping Les Boucaniers,  talvez o melhor de todos até agora, com a infraestrutura mais moderna e completa. Nossos vizinhos de "emplacement" (o lugar onde fica cada barraca ou motorhome) eram um casal de franceses muito simpáticos que nos ofereceram vinho branco regional e com quem tentamos conversar misturando inglês e francês.
Le Treport é a última cidade da Normandia. Amanhã entramos em uma outra região,  o Pas-de-Calais.
Cenas de Le Treport.