14° dia - de Lierop (Holanda) para Neuss (Alemanha) (105 km)

(1.126 km acumulados)
Hoje foi um dos dias mais sofridos da viagem, um pouco por passarmos da molezinha da Holanda para o terreno mais montanhoso da Alemanha, mas principalmente pelo calorão que nos pegou de surpresa. Depois de vários dias com temperatura por volta de 15 graus e céu nublado, hoje abriu um sol de rachar e o termômetro bateu nos 28 graus. No meio do caminho, tive que parar em uma fazenda para trocar a camisa de manga longa por uma de manga curta.
Fora o calor, foi um dia de pedal agradável,  em que percorremos a LF13 até o último metro,  na fronteira com a Alemanha.  Daí em diante não havia mais ciclorrota, então rumamos para Neuss, na Alemanha, onde a ideia é pegar a Eurovelo 15, a famosa rota do Vale do Reno.
Vejam alguns momentos do dia de hoje:
Teve animais hoje.


E interação com animais.

Caminhos pela floresta...

...e por cidadezinhas holandesas.

Uma típica casa holandesa: flores, cobertura de palhoça no telhado e na garagem um BMW ou Mercedes, marcas populares por aqui.

Lanche vietnamita em uma pracinha.

Últimas cenas da Holanda.

E aqui chegamos finalmente à fronteira. Daqui em diante é Alemanha!
A primeira cidade foi Neuss, com seus parques...



...e catedral.

13° dia - de Breda a Lierop (90 km)

(1.011 km acumulados)
Cidades grandes costumam ser um dilema para o cicloviajante. Por um lado, é nelas que ficam as atrações turísticas tradicionais e a infraestrutura de mercados e hotéis. Por outro, entrar e circular nelas é sempre estressante. Mesmo em países com um excelente planejamento para o ciclismo, como Bélgica e Holanda, é claro que é menos agradável enfrentar trânsito, semáforos e outros ciclistas apressados a caminho do trabalho do que pedalar tranquilamente por uma floresta.
Pesando esses prós e contras, e como já temos algumas cidades grandes no roteiro da Alemanha, hoje decidimos tirar uma folga da civilização e curtir o dia na Holanda rural. Assim, passamos o dia todo na ciclorrota LF13, que leva à Alemanha, sem nos afastar nem um instante de seus caminhos em meio a fazendas e cidadezinhas.
Toda cidade tem sua igreja.


Às vezes tem monumentos aos animais locais.

E por falar em animais, achamos até um lhama. 

Não sei do que é essa plantação toda florida, mas tem muito na Holanda.

Caminhos por florestas...

...com direito até a singletrack. 

Uma coisa interessante que temos visto por aqui são lugares em que existe uma estrada de terra com muita areia para os carros e ao lado - felizmente - uma ciclovia asfaltada. Vejam na foto abaixo:


Em uma das cidadezinhas que atravessamos estava tendo um festival local. O Eduardo aproveitou para brincar de tiro ao alvo e até ganhou uma prenda!



Hoje também atingimos a marca de 1.000 km rodados. Com isso, essa já é a maior cicloviagem da minha vida e a maior que fazemos juntos. Para comemorar,  decidimos dormir em um B&B bem charmoso na cidadezinha de Lierop.







12° dia - de Antuérpia (Bélgica) a Breda (Holanda) (95 km)

Segundo o casal de ciclistas com quem conversamos ontem, a melhor forma de pedalar na Bélgica e na Holanda é seguir as rotas predefinidas, que aparecem sinalizadas por números em praticamente toda a extensão desses países. Seguir essas rotas, disseram eles, garante que você sempre vai pedalar por lugares apropriados e agradáveis.
Acatando o conselho, aproveitamos a manhã no hotel na Antuérpia para pesquisar as rotas e definir quais seguiríamos hoje. Baixamos, então,  os GPX das rotas escolhidas e pesquisamos também os melhores aplicativos para navegar com base nesses arquivos. Acabamos decidindo pelo Galileo, que funcionou muito bem.
De fato, o casal tinha toda a razão: as rotas realmente passam por lugares lindos. São caminhos de terra ou simpáticas ciclovias,  sempre cercados por muitas, muitas árvores. Hoje de manhã, em particular, o caminho foi especialmente bonito porque atravessamos a região florestal de Kalmthout.

Muito verde nas ciclorrotas da Bélgica.




Em uma cidadezinha do caminho, uma relíquia da Segunda Guerra: armamento antiaéreo usado para atacar caças nazistas.
Nossa primeira rota nos levou até a fronteira da Bélgica.  Dali em diante  estávamos em um novo país, o terceiro desta jornada: a Holanda!
A primeira cidade holandesa de maior porte que atravessamos foi Breda, onde tiramos algumas fotos.


Cenas de Breda. 




De lá seguimos para o vilarejo de Ulvenhout, onde montamos a barraca em uma espécie de camping-fazenda, com direito a vacas, horta e tudo o mais.
Apesar de o camping ser em uma área afastada, a gente tinha visto no Google, e o dono do camping confirmou, que tinha alguns restaurantes próximos.  Então, depois do banho, pegamos as bikes e rodamos mais 2 km até o vilarejo. De fato, havia vários restaurantes; mas todo mundo se esqueceu de um detalhe: como era segunda-feira, todos estavam fechados.
Imaginem a cena: dois ciclistas famintos, após pedalar quase 100 km, diante da possibilidade de não ter como jantar. Mas mais uma vez tivemos sorte. O último restaurante da avenida era também o único aberto. Era um restaurante asiático e lá nos serviram um verdadeiro banquete indonésio! 
Banquete indonésio para finalizar o dia.


Pôr do sol (às 21h30!) em Ulvenhout.

11° dia - de Bruges para Antuérpia (109 km)

(830 km acumulados) 
Depois de um dia inteiro descansando em Bruges, voltamos com força total para pedalar mais de 100 km!
Quando a gente estava planejando a viagem no Brasil e os amigos perguntavam sobre o roteiro, dizíamos que estava decidido até Bruges. Daí em diante, havia duas opções: ou a gente continuava na LF1 rumo ao norte, passando direto para a Holanda, ou seguia um pouco mais pela Bélgica na direção leste, e só pegava a Holanda um pouco adiante. Ontem decidimos por essa última opção, principalmente para escapar do vento forte e gelado do litoral, que a gente já sentiu na pele em Nieuwpoort e outros lugares.
Assim, decidimos ir à Antuérpia, ainda na Bélgica. É possível ir direto de Bruges para lá,  mas resolvemos pegar um pequeno desvio para Gante.
Um morador de Bruges nos disse que Gante "era como Bruges", mas não é bem assim. Também há os canais, a praça central, os edifícios medievais, porém a cidade está um pouco malconservada e não causa impressão tão boa. Ainda assim, pudemos curtir o Castelo de Gante -- esse, sim, só existe lá -- e alguns outros lugares agradáveis da cidade.

Castelo de Gante.

Outras cenas da cidade.





Um pouco do caminho.


Mas não ficamos muito tempo porque ainda tínhamos uma missão a cumprir: rodar mais de 100 km até a Antuérpia. Com terreno plano e boas ciclovias, não foi uma tarefa tão difícil, e por volta das 17h a gente já estava nas cercanias da cidade. De repente ameaçou cair um toró e fomos até um abrigo para colocar capa de chuva. Um casal de ciclistas belga teve a mesma ideia e começamos a conversar. Eles nos deram várias dicas sobre os roteiros a tomar daqui em diante e sobre como chegar à Alemanha - nosso próximo destino depois da Holanda.  Mais um encontro feliz e útil com ciclistas na Europa... e o interessante é que no fim a chuva acabou não caindo.
Resolvemos ficar em um hotel no centro da cidade. Para chegar lá, um sistema prático e divertido: um elevador gigante para bicicletas desce 31 metros até um túnel por baixo do rio, então os ciclistas atravessam o túnel pedalando e pegam o elevador para subir do outro lado.
Elevador e túnel para ciclistas na Antuérpia.


Depois de tomar banho no hotel, saímos para conhecer essa imensa e linda cidade, que combina modernidade com tradição.
Cenas da Antuérpia.