4° dia - de Étretat a Saint-Aubin-sur-mer (83 km)

(321 km acumulados)
Quem gosta de previsibilidade não pode viajar com a gente! A gente traça um plano geral, mas no dia a dia pode acontecer todo tipo de surpresa, boa ou ruim. Hoje houve um momento de estarmos perdidos em uma trilha cheia de lama, mas também a boa surpresa de poder alugar um trailer para dormir.
Logo que o dia começou,  pegamos finalmente a primeira ciclorrota da viagem: a Véloroute du Littoral. Passamos a utilizar o Google Maps apenas como auxiliar, seguindo basicamente as plaquinhas e o mapa da véloroute.
Sinalização da Véloroute du Littoral.
Mapa em papel, que pegamos na oficina de turismo em Étretat.

Pelo caminho, muitas cidades minúsculas e charmosas. A rota passa por ciclovias e estradinhas rurais cercadas de plantações de batata, trigo e lúpulo.
Um exemplo de casa normanda que vemos muito pelo caminho.

Uma das estradinhas do dia.

Château de Janville, construído por volta de 1610.

Em certo momento, porém, não queríamos seguir a véloroute até uma cidadezinha do litoral que não nos interessava, então resolvemos abandoná-la um pouco e utilizar o Google Maps. Mas o sistema estava com a macaca hoje: ele nos mandou para uma trilha off-road com umas subidas insanas, que eu não conseguiria fazer nem com a MTB sem bagagem. Só depois de empurrar por mais de um quilômetro conseguimos voltar ao caminho normal.
Morro cheio de lama: faz parte...
Com mais de 80 km pedalados (e/ou empurrados), resolvemos parar em um camping pouco antes da cidade de Saint-Aubin-sur-mer. Fomos nos informar na recepção e demos sorte: pelo mesmo preço da barraca, nos ofereceram um trailer bem espaçoso.  O camping tem também um ótimo restaurante, então pudemos jantar por aqui mesmo. E assim termina mais um dia de aventura, com disposição para aceitar e curtir as surpresas do caminho!


Nossa casa hoje, com o novo senhorio.

Camarões e entrecôte no próprio camping. 


3° dia - de Caudebec-en-Caux a Étretat (53 km)

(238 km acumulados)
Hoje a ideia era rodar 45 km até Étretat, mas com os erros e desvios acabamos chegando a 53 km. Aliás, vou falar um pouco sobre os métodos de navegação que estamos utilizando. Nós contratamos, ainda no Brasil, um pacote da Claro que reproduz na Europa as mesmas condições do seu plano no Brasil, inclusive a franquia de dados para navegação no smartphone.  Com isso,  temos utilizado o Google Maps o tempo todo, no modo rotas para bicicleta.
De modo geral funciona, mas também tem vários contratempos. O primeiro é que o celular superaquece depois de muitas horas usando o GPS e precisamos esperar um pouco até que volte ao normal. Outro problema é que o Google Maps não funciona muito bem no modo rotas para bicicleta: ele inventa desvios desnecessários, manda a gente para single tracks cheios de lama e às vezes simplesmente sai do ar.
Por essas e por outras, a gente sempre acaba se perdendo um pouco.
Hoje, na saída de Caudebec, pegamos uma baita subida, depois um longo platô - e finalmente a descida para o mar.
Ainda em Caudebec, um pouco da arquitetura normanda. 
Forte subida na saída da cidade.
As margens da estrada são um espetáculo à parte.

Um pônei! :)

A charmosa entrada de Étretat.


Comemorando a conclusão de mais um dia.

Montamos a barraca no Camping Municipal de Étretat. Nossos amigos Rodrigo e
Eliana, do Clube de Cicloturismo Brasil, já tinham nos falado dos tais campings municipais, que oferecem boa infraestrutura a um preço muito baixo.


De banho tomado e vestindo jaqueta para enfrentar o vento gelado, fomos conhecer a grande atração do dia: as espetaculares falésias de Étretat.




2° dia - de Saint-Marcel a Caudebec-en-Caux (95 km)

(185 km acumulados)
No Brasil, quando o dia amanhece com cerração é sinal de que vai abrir um sol de rachar.  Na França isso até é verdade, mas o sol forte só foi aparecer lá para a uma hora da tarde. A manhã toda foi de cerração pesada pelas cidadezinhas da região rural francesa.
St. Aubin sur Gaillon sob neblina.

Mansão abandonada na região rural.
Para compensar o estresse de ontem, hoje quase toda a rota foi por estradinhas rurais e por lindas áreas florestais: primeiro a Forêt Domaniale de la Londe-Rouvray, depois a Forêt Domaniale de Brotonne. Mesmo assim, não escapamos de alguns trechos em estradas médias sem área para bicicleta. Nesse ponto, a França é bem menos preparada para ciclismo do que outros países que conhecemos, como Alemanha e Áustria, onde sempre há ciclovias ao longo das estradas.
Hoje atravessamos regiões florestais.



O caminho hoje também foi mais sofrido, com 95 km de muito sobe e desce morro até chegar a Caudebec-en-Caux, onde montamos a barraca no Camping Barre y Va, onde aproveitamos para lavar a roupa. Amanhã o plano é rodar 45 km até Etretat e passar o dia lá.

Um chopp para comemorar os 95 km pedalados.
Igreja de Caudebec-en-Caux, construída em estilo gótico entre os séculos XV e XVI.

Casarão de Caudebec.

Nossa nova casa na Normandia.

1° dia - Paris a Saint-Marcel (90 km)

Hoje começou enfim nossa tão aguardada cicloviagem pela Europa. Serão mais de 1.000 km em mais de 20 dias pela França, Bélgica, Holanda e talvez Alemanha ou Luxemburgo.
O primeiro dia começou tenso, especialmente os primeiros 15 km na saída de Paris, com muito tráfego e muitos semáforos. Para completar, um pneu furado ainda nos limites da cidade.
Quando chegamos à cidadezinha de Maisons-Lafitte, relaxamos e tiramos fotos do belo castelo.
Maisons-Lafitte, a 15 km de Paris

Mas logo a tensão voltou, quando tivemos que encarar uma rodovia com muito tráfego.  Apesar de os motoristas serem educados e sempre se afastarem ao nos ultrapassar, foi sem dúvida tenso. Depois de ter percorrido 50 km, decidimos alterar a rota do Google Maps para avenidas e estradinhas secundárias. Embora a distância se tornasse maior, seria mais agradável.
Assim, logo entramos no Parc Naturel Régional du Vexin - com direito a estrada de terra e poças de lama - e avistamos o Sena.
Passamos por lindas cidadezinhas típicas da Normandia, como Vétheuil e La Roche-Guyon.
Campo florido na estrada.

Cidadezinha da Normandia.

Chegando a La Roche-Guyon.
La Roche-Guyon: a fortaleza original (parte de cima) é do século XII.

Como o nome sugere, La Roche-Guyon é um morro... rs rs 

Um pouco antes das 16h chegamos ao destino mais esperado: a Fundação Claude Monet, com os famosos jardins que serviram de inspiração ao artista. Porém, surgiu uma grande dificuldade para entrarmos na instituição: os funcionários  (bem antipáticos, diga-se) se recusaram a guardar nossos alforjes, então teríamos que carregar tudo durante a visita, o que seria impossível. Por sorte, uma moça que vendia sorvetes topou nos ajudar e guardou toda a nossa bagagem enquanto visitávamos o local. Valeu a pena porque o lugar é lindo.
Fachada da casa de Claude Monet.  Abaixo,  algumas das paisagens que inspiraram o artista.

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Depois da visita, mais uns poucos quilômetros até o hotel Haut du Marais, em Saint-Marcel. E vamos descansar que amanhã tem mais!

Jun 2018, uma nova rota, uma nova experiência, mais um capítulo

França, Bélgica, Holanda e aonde mais a rota nos levar.

Mais de 1300 km!

Em breve com atualizações diárias diretamente da rota